terça-feira, 20 de outubro de 2009

SISTEMA CIRCULATÓRIOS


O sistema cardiovascular ou aparelho cardiovascular ou aparelho circulatório funciona para fornecer e manter suficiente, contínuo e variável o fluxo sangüíneo aos diversos tecidos do organismo, segundo suas necessidades metabólicas, para desempenho das funções que devem cumprir, em face das diversas exigências funcionais a que o organismo está sujeito.

Ao desempenhar sua função, o aparelho cardiovascular está organizado morfológica e funcionalmente:

- para gerar e manter uma diferença de pressão interna ao longo do seu circuito;
- para conduzir e distribuir continuamente o volume sangüíneo aos tecidos do organismo;
- para promover a troca de gases (principalmente oxigênio e gás carbônico), nutrientes e substâncias entre o compartimento vascular e as células teciduais;
- para coletar o volume sangüíneo proveniente dos tecidos e retorná-lo ao coração.

Assim, o sistema cardiovascular compõe-se das seguintes estruturas:

a) coração;
b) vasos arteriais (sistema vascular arterial);
c) sistema tubular trocador (microcirculação);
d) vasos venosos (sistema vascular venoso);
e) vasos linfáticos (sistema vascular linfático).

O conjunto dos sistemas vasculares distribuídos em todas as estruturas do organismo é denominado grande circulação, ou circulação sistêmica. A grande circulação conduz sangue arterial oxigenado do lado esquerdo do coração (Ventrículo Esquerdo), para todos os tecidos do organismo e, a partir destes, conduz sangue venoso desoxigenado e rico em gás carbônico para o lado direito do coração (Átrio Direito).

Os sistemas arterial e venoso do pulmão constituem a pequena circulação, ou circulação pulmonar. A pequena circulação é a que conduz o sangue venoso, pobre em oxigênio e rico em gás carbônico, proveniente de todo o organismo, a partir do lado direito do coração (Ventrículo Direito) até aos pulmões, e destes faz retornar sangue arterial rico em oxigênio para o lado esquerdo do coração (Átrio Esquerdo).

A) O Coração

O desempenho de sua função depende de algumas propriedades:
Propriedades eletrofisiológicas: são especialmente próprias do tecido excitocondutor do coração e incluem o automatismo, a condutibilidade e a excitabilidade.
O automatismo é a capacidade que tem o coração de gerar seu próprio estímulo elétrico, que promove a contração das células miocárdicas contráteis, o grau do automatismo que determina o ritmo cardíaco, ou a freqüência dos batimentos do coração, a qual varia normalmente de 60 a 100 vezes por minuto.

A condutibilidade diz respeito à capacidade de condução do estímulo elétrico, gerado em um determinado local, ao longo de todo o órgão, para cada uma das suas células.
A excitabilidade refere-se à capacidade que cada célula do coração tem de se excitar em resposta a um estímulo elétrico, mecânico ou químico, gerando um impulso elétrico que pode se conduzir, no caso do tecido excitocondutor, ou gerando uma resposta contrátil, no caso do miocárdio.

Propriedades mecânicas: são a contratilidade e o relaxamento.
A) contratilidade é a capacidade de contração do coração, que leva a ejeção de um determinado volume sangüíneo para os tecidos e provoca o esvaziamento do órgão.
O relaxamento é a capacidade de desativação da contração, que resulta em retorno de um volume de sangue e no enchimento do coração.

B) Sistema Vascular Arterial
Tem basicamente a propriedade de conduzir e distribuir o volume sangüíneo aos tecidos, para a manutenção da pressão intravascular e da oferta de fluxo adequada.

C) Microcirculação
Tem a propriedade de permitir a troca de substâncias sólidas, líquidas e gasosas entre o compartimento intravascular e as células teciduais.

D) Sistema Vascular Venoso
Tem a propriedade de variação da sua complacência, para permitir o retorno de um volume sangüíneo variável ao coração e manter a reserva desse volume.

Estrutura e Fisiologia Geral do Coração

O coração é um órgão oco, aproximadamente esférico, constituído de paredes musculares que delimitam quatro cavidades – os átrios direito e esquerdo e os ventrículos direito e esquerdo. O átrio direito e o ventrículo direito constituem o coração direito, ou lado direito do órgão, e o átrio esquerdo e ventrículo esquerdo integram o coração esquerdo, ou lado esquerdo do órgão.

O coração tem o tamanho da mão fechada e pesa cerca de 300 g.
Os átrios estão separados entre si pelo septo interatrial, e os ventrículos, pelo septo interventricular. Entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo, separando as duas cavidades, encontra-se a valva mitral; entre o átrio direito e o ventrículo direito está a valva tricúspide. No átrio esquerdo desembocam diretamente quatro veias pulmonares, que conduzem o sangue proveniente dos pulmões. Para o átrio direito drenam diretamente as veias cavas superior e inferior, que são os condutores terminais do sangue proveniente de todas as partes do organismo. Do ventrículo esquerdo sai a grande artéria aorta, que distribui sangue para todo o organismo, por meio das suas ramificações arteriais; na saída do ventrículo esquerdo situa-se a valva aórtica, que separa esta cavidade ventricular da aorta. Do ventrículo direito emerge a artéria pulmonar, que é a condutora do sangue em direção aos pulmões; entre a saída da cavidade ventricular direita e o início da artéria pulmonar encontra-se a valva pulmonar.

Assim, o coração é composto de uma estrutura muscular espessa, de cerca de 1 – 2 cm, denominada miocárdio, que integra as paredes das cavidades atriais e ventriculares. O miocárdio está envolto externamente por uma estrutura membranosa, o pericárdio, cuja função é proteger o miocárdio e permitir o suave deslizamento das paredes do órgão durante o seu funcionamento mecânico, pois contém líquido lubrificante em seu interior.

Internamente, o miocárdio é recoberto pelo endocárdio, a membrana de proteção interna que fica em contato direto com o sangue, separando a musculatura, do interior das cavidades do órgão. O coração tem também um conjunto de valvas intracavitárias, cuja função é direcionar o fluxo de sangue em um único sentido no interior do coração.

O tecido excitocondutor compreende um conjunto de quatro estruturas interligadas morfofuncionalmente: o nodo sinusal, que é um aglomerado de células excitáveis especializadas, situado no extremo da região ântero-superior direita do coração, próximo à junção da veia cava superior com o átrio direito; o nodo atrioventricular, que também se constitui num aglomerado celular excitável especializado, situado na junção entre os átrios e os ventrículos, na porção basal do septo intraventricular, na região mediana do coração; o feixe de Hiss e seus ramos principais direito e esquerdo com suas subdivisões, que se localizam na intimidade da estrutura muscular miocárdica, partindo da base do septo intraventricular e dirigindo-se aos ventrículos direito e esquerdo, respectivamente; o sistema de fibras de Purkinje, que representa uma rede terminal de condução do impulso elétrico a cada célula miocárdica contrátil.
O coração é fartamente irrigado com sangue arterial por meio de uma riquíssima rede de circulação própria – a circulação arterial coronariana - e tem o sangue venoso drenado pela circulação venosa coronariana de retorno; o miocárdio adjacente à cavidade ventricular esquerda é também irrigado pelo sistema de vasos de Thebésius, que transporta sangue arterial desta cavidade diretamente para as células musculares.

Controle

Para controle do seu funcionamento, de modo a atender as necessidades variáveis de fluxo sangüíneo dos tecidos do organismo, o coração está sob a influência reguladora de uma rica rede de nervos oriundos de diversas estruturas do sistema nervoso central, os quais modificam o estado funcional e as propriedades dos diferentes componentes do órgão, por meio da liberação, em seus terminais, de substâncias químicas neurotransmissoras estimuladoras (noradrenalina e outras) ou inibidoras (acetilcolina e outras). Esses nervos fazem parte do sistema nervoso autônomo (ou involuntário, ou neurovegetativo) e pertencem às duas divisões deste: o sistema nervoso simpático (nervos simpáticos), que tem função estimuladora sobre as propriedades funcionais, e o sistema nervoso parassimpático (nervo vago), que tem efeito funcional inibidor.

Funcionamento Mecânico do Coração:

Contração e Relaxamento e Ciclo Cardíaco
Quando o estímulo elétrico gerado no nodo sinusal atinge as células miocárdicas comuns, estas são eletricamente excitadas e suas membranas se despolarizam, o que provoca a liberação intracelular de íons cálcio, que se acoplam às proteínas contráteis desencadeando o processo de contração das células. Esse processo funcional, que compreende a estimulação e a subseqüente contração das células miocárdicas, denomina-se acoplamento excitação-contração.

Por meio da contração (ou encurtamento circular) e do relaxamento (ou distensão) dos ventrículos, o coração ejeta um determinado volume de sangue para as circulações arteriais – sistêmica e pulmonar – e promove o retorno para si do mesmo volume sangüíneo que circula pelas circulações venosas – sistêmica e pulmonar. Por seu turno, a contração do miocárdio dos átrios complementa o enchimento dos respectivos ventrículos, e o relaxamento dos átrios facilita o retorno de sangue das circulações venosas, sistêmica e pulmonar. Os átrios e os ventrículos não se contraem e relaxam simultaneamente, mas o fazem em momentos diferentes, ou seja, enquanto os átrios estão se contraindo, os ventrículos se encontram relaxados para a recepção do sangue, e vice-versa.

A contração do coração, tendo-se como referência os ventrículos, chama-se sístole cardíaca ou batimento cardíaco, e o relaxamento denomina-se diástole cardíaca.
O conjunto dos fenômenos mecânicos que ocorrem nas fases da contração sistólica e do relaxamento diastólico do coração constitui o ciclo cardíaco, que inclui:

- alterações das dimensões e dos volumes atriais e ventriculares;
- modificações das pressões no interior dos átrios e dos ventrículos;
- modificações da pressão arterial sistêmica e pulmonar;
- modificações da pressão venosa sistêmica e pulmonar; e
- movimentos de fechamento e abertura das valvas intracardíacas.

A oferta e a manutenção do fluxo sangüíneo aos tecidos do organismo, que se constituem nos objetivos funcionais fundamentais do aparelho cardiovascular, estão na dependência básica de um determinado volume de sangue e de um certo gradiente de pressão existentes no interior do órgão.

O valor normal máximo da pressão arterial sistólica é 140 mmHg; o da pressão arterial diastólica é 90 mmHg. Em média, os valores normais da pressão arterial situam-se em torno de 120 x 80 mmHg.

As estreitas relações entre as variáveis cardiovasculares ou hemodinâmicas fundamentais são representadas pelas seguintes funções matemáticas:
Débito Cardíaco = Freqüência Cardíaca x Volume Sistólico
Pressão Arterial = Débito Cardíaco x Resistência Periférica
O adequado nível da pressão arterial sistólica e diastólica é de grande importância para a integridade morfológica e para o perfeito funcionamento de todo o aparelho cardiovascular e, em conseqüência, para a manutenção das funções de todos os órgãos e do estado de saúde do indivíduo ao longo do tempo.

A elevação da pressão arterial acima dos valores normais, provocada por fatores diversos que terminam por elevar a resistência vascular periférica ou o volume sangüíneo, representa um distúrbio comumente encontrado: a hipertensão arterial.
Bons Estudos!!