TEXTO 01: A ARTE DE ESCOLHER
Há muito tempo esse tema fascina grandes pensadores. Essa arte está sob controle da vontade e se explica na Bíblia por livre arbítrio.
A arte de escolher pode ser inspirada, controlada, por impulso e por ignorância sobre o objeto da escolha, más será sempre um fazer artístico. Está em tudo que fazemos no nosso dia a dia.
Quando escolhemos buscamos o melhor equilíbrio, a maior valorização, o resultado mais satisfatório.
A arte de escolher é um fazer humano não apenas artístico, mas também político, filosófico e religioso e tem sempre um modelo padrão.
A escolha traz sempre uma consequência que tanto pode se apresentar como um bom resultado ou um mau resultado. Apesar do problema não estar no segundo caso, este também pode se apresentar como uma grande solução, porque sempre depois do maior caos, vem o maior equilíbrio. É só uma questão de conseguir enxergar.
TEXTO 02: Que arte é essa?
Restauro, de Jorgge Menna Barreto Em 2016, o artista paulista Jorgge Menna Barreto (1970) criou a ação artística Restauro, um restaurante-obra-de-arte que relaciona alimentação ao espaço de exposição, às urgências climáticas e à vida na Terra.
As refeições eram feitas com produtos naturais e orgânicos, para questionar o modo como cultivamos nossos alimentos. A agropecuária intensiva é uma atividade econômica que pode impactar negativamente o meio ambiente, comprometendo a biodiversidade quando pratica o desmatamento da vegetação nativa, altera a composição do solo e polui as águas com defensivos agrícolas e fertilizantes.
A ação artística propunha um cardápio que revelava a diversidade de alimentos que poderiam existir por meio do cultivo em um sistema agroflorestal. Além disso, visava despertar a reflexão sobre os usos da terra e as consequências globais das escolhas feitas em nível local.
Com sua ação, o artista propôs uma experiência de como se alimentar. Para isso, além dos sentidos do paladar
e visual, foram acrescidos áudios captados em agroflorestas ao som ambiente.
Agropecuária intensiva: atividade de produção agrícola e criação de animais baseada no modelo de alto rendimento em pouco tempo.
Defensivos agrícolas: produtos utilizados em plantações para o controle de pragas e doenças das lavouras agrícolas.
Saiba mais
Os sistemas agroflorestais são áreas em que se organiza uma mistura de culturas agrícolas com espécies arbóreas. Esses sistemas, fruto dos saberes dos povos do campo, ajudam a superar as limitações dos terrenos, minimizando os riscos de degradação provocados pelas atividades agrícolas e otimizando a produtividade. As árvores ajudam no processo de reposição de matéria orgânica e de restauração das relações entre as plantas e os animais locais, auxiliando a fertilizar o solo das plantas comestíveis, o que favorece a soberania alimentar.
TEXTO 03: Dessacralização da arte
Na tradição ocidental, desde a Antiguidade, a divulgação da arte tida como verdadeira ocorria em locais como templos, palácios e igrejas e acontecia em momentos especiais, de modo a valorizar o poder dos nobres e das instituições religiosas. Já as manifestações artísticas realizadas pelas camadas populares, como os festejos públicos, eram misturadas a práticas cotidianas e a momentos de trabalho, como as colheitas, mas não eram reconhecidas como atividades de prestígio por parte da população que detinha o poder.
A partir do século XVII até meados do século XX, as manifestações artísticas passaram a se concentrar em locais específicos para a sua divulgação. Nesse período, foram inaugurados museus e teatros reconhecidos internacionalmente, como o Museu do Louvre, em Paris, e o Teatro Globe, em Londres.
Esse palácio foi transformado em museu de arte pelo rei Luís XIV, em 1692. A primeira exposição de arte visual aberta ao público aconteceu em 1699.
Dessacralizada : ação de fazer perder o caráter sagrado ou místico; desmistificar.
Desde meados do século XX, vem ocorrendo um processo de democratização do acesso à arte, decorrente de fatores como a participação do Estado e da sociedade civil no custeio das obras. Outro fator determinante é o desenvolvimento das tecnologias de informação, comunicação e reprodução, aspectos que alteraram o modo como a arte circula, tornando a arte uma prática dessacralizada.
Artistas e grupos de diferentes origens culturais começaram a questionar e a criticar o sistema de circulação da arte e a rever o distanciamento construído entre arte erudita e arte popular e passaram a intervir poeticamente no espaço público, rompendo com a concepção de um espaço delimitado para a arte. Além disso, o público deixou de ser espectador e passou a contribuir para a produção artística, por meio do financiamento coletivo de obras.
Quando constatamos todas essas mudanças que ocorreram no campo artístico, diversas questões podem ser levantadas, mas, principalmente: Como é possível, hoje, ter acesso aos meios de produção de arte? Afinal, onde encontrar a arte?
TEXTO 04: Os Guarani
Os Guarani estão espalhados em vários países da América Latina: além do Brasil, estão presentes na Argentina, na Bolívia, no Paraguai e no Uruguai. Atualmente, vivem no Brasil em sete estados diferentes,
divididos em três grupos: Kaiowa, Nandeva e M'byá. Os Guarani são a etnia mais numerosa do país.
Ainda que pertençam a uma mesma etnia, os Guarani apresentam algumas diferenças de um grupo para outro, principalmente no que diz respeito aos costumes, à língua e à prática ritual. Porém, um traço que pode ser apontado como característico desse povo é o fato de serem nômades. Os Guarani vivem em busca da "Terra sem Males", uma terra anunciada por seus ancestrais onde poderão viver livres e sem sofrimento ou dor, aspecto da cultura guarani que é abordado também na produção musical.
A cultura e os valores do povo Guarani (como a relação com o mundo natural e entre os membros da comunidade, a organização social, a religiosidade, etc.) são transmitidos de geração em geração por meio da tradição oral. As contações de histórias, os rituais e o canto são algumas das práticas orais que mantêm viva a cultura guarani e, por isso, são também formas de resistência desse povo.
Para os Guarani, o cuidado com a palavra e a valorização do discurso, tanto na fala como no canto, são resultados da crença de que a língua falada por eles lhes foi entregue por seu deus. Por isso, para o Guarani, a palavra é uma expressão sagrada, e o canto é uma forma de manifestar sua religiosidade.
Em nosso cotidiano, é possível notar a influência da tradição indígena em vários campos de atuação social, como:
*No artesanato feito com materiais naturais, como folhas, sementes, argila, etc.;
*Em brincadeiras e jogos, como a peteca e o jogo da onça;
*Na culinária, em pratos feitos à base de amendoim, batata-doce, erva-mate, mandioca, milho, etc.;
*Na música, no uso de instrumentos como caxixi, maracá, reco-reco, pau de chuva, etc.;
*Na língua portuguesa falada no Brasil, que tem até hoje palavras derivadas da família linguística tupi-guarani.
TEXTO 05: Toré dos Pankararu
O Toré é uma dança circular típica dos indígenas que vivem no Nordeste do Brasil, como os Pankararu.
O ritual do Toré entre os Pankararu está relacionado ao culto dos Encantados, figuras centrais da cosmologia desse povo. Quando um membro da comunidade sonha com um Encantado, ele encomenda uma roupa e uma máscara feitas de palha de ouricuri. Antes do Toré, essas pessoas escolhem quem serão os "dançadores", aqueles que utilizarão a roupa durante o ritual. A dança do Toré é guiada por uma música com um ritmo marcante, conhecida como Toante. Essa música é entoada por um único "cantador" ou "cantadora" e recebe respostas periódicas nos gritos sincronizados e ritmados do grupo de dançarinos.
O povo Pankararu
Os Pankararu habitam áreas do sertão de Pernambuco, próximas das margens do rio São Francisco, entre os munícipios de Petrolândia, Itaparica e Tacaratu. Além das populações que vivem nas terras indígenas, existe também um grupo de Pankararu que se mudou para São Paulo (SP) a partir da década de 1940, inicialmente de forma intermitente, para trabalhar na construção civil. No entanto, a partir da segunda geração de trabalhadores pankararu na cidade, formou-se um núcleo permanente na favela do Real Parque, no bairro do Morumbi. Esse grupo hoje tem cerca de 1000 pessoas que seguem com a tradição do ritual do Toré.

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